Dizem que o amor é um prato que se serve quente, mas o retorno, são cinzas e para tentar soprar uma nova brasa, exige paciência de monge e pulmão de aço.
Quando decidimos voltar, não estamos apenas abraçando uma pessoa, estamos tentando fazer um pacto de amnésia com o nosso próprio passado.
O problema é que o passado não é um inquilino educado. Ele não vai embora só porque pedimos. Ele fica ali, esfolando os desejos, lembrando daquela palavra dita num domingo de chuva ou da ausência debaixo dos lençóis, de um amor gostoso, essa falta, dói mais que um corte de navalha.
A pergunta é... Como esquecer o passado quando ele deixou cicatrizes na alma?
A verdade, nua e crua, é que não se esquece. Tentar apagar a memória é lutar contra a própria biografia. O segredo não é o esquecimento, mas a ressignificação. É preciso tratar o erro antigo como um tapete velho que foi trocado de lugar, mais ele ainda está na casa, mas você não tropeça mais nele.
Para que a promessa de amor eterno não seja apenas uma reciclagem de erros, é necessário um enterro simbólico. É preciso admitir, aquela relação morreu.
Esta agora, embora tenha os mesmos protagonistas, é uma peça nova. Se você tentar costurar o presente com as linhas arrebentadas de ontem, o tecido vai rasgar na primeira puxada.
Esquecer o que esfolou o amor exige um desapego quase divino. É entender que o outro também mudou (ou deveria ter mudado). Se você volta para a mesma pessoa esperando que ela seja a mesma, você está condenado ao mesmo fim. Mas se você volta para descobrir quem essa pessoa se tornou, há uma chance.
O amor eterno não nasce da ausência de cicatrizes, mas da decisão mútua de não cutucá-las mais. É preciso olhar para o parceiro e ver não o "ex" que te feriu, mas para esse que está te acolhendo agora.
Se o desejo foi esfolado, deixe que a pele nova cresça. Ela será mais grossa, menos sensível a erros e, talvez, muito mais resistente ao tempo.
O retorno é como abrir um livro que você já leu, esperando que o autor tenha escrito um final alternativo nas margens. É um movimento de coragem e, por vezes, de uma teimosia quase poética.
Amar de novo a mesma pessoa é o maior exercício de otimismo que o ser humano pode praticar. É dizer ao destino... "Eu conheço o abismo, mas desta vez, eu trouxe asas".
Por Alfredo Guilherme

8 comentários:
Exatamente assim se tiver um retorno, voltar com as asas pronta voar 💝💝
Esse texto provoca uma leitura intensa e cheia de imagens fortes. A sensação é de estar diante de uma reflexão madura, quase dolorida, sobre o amor e suas cicatrizes.
O texto faz o leitor oscilar entre dor e coragem, entre o medo de repetir erros e a ousadia de tentar outra vez.
É como se vc dissesse que o amor não é para os fracos, mas para os que aceitam o risco de cair e ainda assim escolhem voar.
Caro amigo Alfredo a coragem de recomeçar não é ingenuidade, mas uma escolha consciente de se expor novamente, sabendo que pode doer, mas também pode curar.
Só um grande amor da mais uma ou mais vários retornos , o grande problema são as cicatrizes , em um momento, são tantas que o amor já não consegue mais tentar, embora se há amor maior dos dois lados… Vale tentar, afinal uma cicatriz a mais uma a menos rs 💝
A coragem da volta não vem de apagar o passado, mas de aceitar que ele existe e decidir não cutucá-lo mais. Isso dá ao relacionamento uma força de maturidade.
O impacto emocional da volta vem justamente desse contraste, entre a dureza da verdade não se esquece o que marcou a alma e a possibilidade de ressignificação, de reconstruir algo novo sobre ruínas antigas. Eu tentei e me dei mal a vida que segue.
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