Às vezes, olhando par a tecnologia que carregamos nos bolsos e para as inovações que prometem o "bem-estar absoluto", eu me pego pensando...será que a humanidade sempre foi tão desesperada por um alívio imediato?
A resposta, galera amiga, reside nos porões empoeirados da medicina vitoriana, onde o Dr. Frank E. Young, em 1892, nos brindou com algo que hoje, com o perdão do trocadilho, faria qualquer um sentar e refletir antes de usar.
Sim, os dilatadores retais foram amplamente utilizados nos Estados Unidos, especialmente entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Foram vendidos com sucesso comercial por cerca de 40 anos. Com o avanço da medicina baseada em evidências e a pressão de órgãos reguladores, o produto foi desacreditado e retirado do mercado. O caso de Frank E. Young é frequentemente citado em museus de história da medicina e curiosidades como um exemplo clássico de "charlatanismo médico".
Estou falando dos famosos "Dilatadores Retais do Dr. Young". Sim, você não leu errado. Naquela época, acreditava-se piamente que a tal "auto-intoxicação" era a mãe de todos os males. Se você estava nervoso, com insônia ou até mesmo com aquele humor duvidoso, o problema, de garantia de resultado garantidos estavam nos manuais, na sua parte inferior. A solução?... Um kit de cilindros de borracha endurecida, vendidos sob a promessa de curar desde hemorroidas até a "insanidade mental".
Esses objetos fazem parte de uma linhagem de dispositivos médicos da época que prometiam por meio de métodos invasivos ou estimulantes, similares aos vibradores que, na mesma época, também eram vendidos com a promessa de tratar a chamada "histeria" feminina. Por outro lado... Alguns que não podiam sair do ' armário,', usavam o kit sorrateiramente para não dar o que falar.
O que há de mais cômico e, devo admitir, poeticamente irônico é notar que esses artefatos, tão sisudos e com cara de ferramentas de oficina, são, na verdade... "Os Tataravôs dos Vibradores Modernos". Enquanto o Dr. Young pregava o alívio através da "dilatação", para vender o que, na verdade, só tinha o efeito placebo e o de distrações físicas de prazeres sexuais.
A evolução tecnológica logo percebeu que um pouco de vibração seria muito mais eficiente para resolver certas tensões da vida moderna.
É fascinante notar essa evolução, saímos do "Dr. Young" e chegamos aos diversos produtos eróticos à venda hoje. Onde antes tínhamos um conjunto de hastes rígidas, hoje temos tecnologia de ponta, carregamento ultrarrápido e designs ergonômicos que fariam o próprio Frank Young soltar um "E isso carrega na tomada?".
O que hoje chamamos de "tecnologia de ponta", daqui a cem anos, provavelmente será visto com o mesmo ceticismo ou com risadas com que olhamos para as hastes de borracha do Dr. Young.
A medicina mudou, os padrões mudaram, e felizmente a ciência nos libertou da ideia de que todos os nossos problemas mentais residiam onde o "Sol não Bate".
Mas, ao olhar para a imagem que ilustra essa crônica, não consigo conter o sorriso. A história é, no fundo, uma sequência infinita de tentativas humanas de buscar conforto, O caso dos dilatadores é, de fato, um lembrete antropológico fascinante de como o desespero e a falta de conhecimento podem pavimentar estradas bizarras para a "cura" que só nos resta rir da nossa própria criatividade.
Afinal, se o "Ideal Rectal Dilator" serviu para alguma coisa, foi para nos ensinar que, por mais que a tecnologia avance, o ser humano sempre estará à procura de um botão de "liga/desliga" para o estresse do dia a dia. A diferença é que, hoje, a gente prefere o modo sol, praia, caipirinha, cerveja etupidamente gelada e o mar a nossa frente.




























