E como mudar de humor... Num piscar de olhos ?... Dizia o sábio Barão de Montesquieu que “Os homens mudam de sentimentos e de comportamento com a mesma rapidez com que mudam os seus interesses”. Lindo, profundo, filosófico.
Mas o Barão, coitado, escrevia no século XVIII. Se ele vivesse hoje, teria completado a frase... " E as mulheres fazem exatamente a mesma coisa, só que com uma paleta de cores muito mais complexa e justificativas bem mais elaboradas ”.
A verdade nua, crua e levemente hipócrita é que o ser humano é um camaleão de conveniências. Nossos sentimentos têm a solidez de um gelo no asfalto quente ao meio-dia, dependendo exclusivamente do que estamos querendo ganhar com a situação.
O Homem no "Modo Camaleão" é primoroso… No universo masculino, a mudança de comportamento baseada no interesse é quase matemática. É uma chave que vira com o barulho de um clique de esperança.
Vejamos um exemplo clássico do Héber, um sujeito que odeia drama, detesta filas e sempre considerou coisa de jovem babaca, acampar para ver show.
Mas quando pintou o interesse, Héber ao conhecer a Letícia. Parecia ser o amor de sua vida, pelo menos até o próximo mês, ela é fã fervorosa de uma banda islandesa que toca instrumentos feitos de gelo reciclável.
A Metamorfose aconteceu em menos de 48 horas, Héber desenvolveu uma paixão súbita pela cultura nórdica, comprou uma bota de trilha e passou doze horas na fila do festival debaixo de chuva, sorrindo e dizendo que "A energia da lama reconecta o homem com a sua essência".
O sentimento dele pela chuva mudou? Não... Mas o interesse pode mudar. Dois meses depois, se a Letícia terminar com ele, a lama volta a ser uma nojeira pra cacete, e a banda islandesa vira uma bosta, um bando de cabeludos cuzão fazendo barulho.
A mulher e a "Engenharia dos Sentimentos"... Se os homens mudam de interesse como quem troca de marcha no carro, as mulheres operam em um sistema de computação quântica. A mudança é igualmente rápida, mas vem envelopada em uma narrativa impecável.
Tomemos como exemplo... A jovem Camila, ela sempre defendeu o consumo consciente, a simplicidade e jurava de pé junto que detestava ostentação e que "Gente que gasta fortuna em restaurante chique, e compra bolsa de marca famosa, tem vazio na alma".
Camila descobriu que a sua arquirrival do trabalho, a Marcela, foi pedida em casamento em Paris com direito a champanhe com folhas de ouro. E lua de mel no Caribe.
Além disso, por outro lado ... A Camila acabou de ganhar um bônus gordo em espécie na empresa.
A Metamorfose aconteceu... O vazio na alma virou experiência gastronômica conceitual. Na mesma semana, Camila foi vista jantando no restaurante mais caro da cidade, postando fotos com uma bolsa da Louis Vuitton, com a legenda... “Celebrando as pequenas conquistas porque a vida pede um toque de poesia e sofisticação”.
Os sentimentos de Camila sobre o capitalismo mudaram? Jamais vai mudar. Mas o interesse em não ficar por baixo da Marcela operou um milagre filosófico em seu coração.
Na dança das conveniências o interesse é o verdadeiro mestre dos magos das nossas emoções.
Então um viva a Flexibilidade!... Não sejamos hipócritas. Mudar de sentimento conforme o interesse não é falta de caráter, é instinto de sobrevivência social. Se fôssemos rígidos e coerentes o tempo todo, morreríamos solteiros, desempregados e ainda dirigindo um carro velho que não paga mais IPVA, e sem amigos.
Portanto, quando você vir um homem que jurava odiar sertanejo chorando ao som de um modão, tudo porque a pretendente é fã deu-lhe um pé na bunda... Isso faz parte.
Ou uma mulher que detestava rotina acordando às 5h da manhã para fazer crossfit, com roupa justa, quase transparente que dá pra ver a alma, com as novas amigas ricas, não julgue. Apenas observe a beleza da evolução humana... Porque também isso faz parte.
Afinal, como já dizia o ditado que acabei de inventar...
"Quem não muda de opinião conforme o interesse, ou já ganhou na loteria ou desistiu de viver."
Por Alfredo Guilherme






























