sexta-feira, 17 de julho de 2026

Crônica: Quem ri por último.... Ri melhor... Será ?

  


        Sabe aquele ditado antigo, com aquela pose solene e cheia de sabedoria, que diz... “Quem ri por último, ri melhor” ?

      Pois é. Quem inventou isso claramente nunca tentou achar um amor depois dos 50, ou pior, nunca passou horas deslizando o dedo pra direita para dar matche em um aplicativo de relacionamentos em pleno século XXI.

      A grande verdade, aquela que a sua avó não te contou para não estragar a sua infância é que no amor, "Quem ri por último... geralmente fica com o bagaço da laranja". E, se bobear, uma laranja daquela bem murcha, cheia de semente, azeda e que já foi espremida por metade da cidade!.

      A teoria do "Bagaço da Laranja no Amor"!... Vamos analisar a dinâmica do mercado dos corações... A vida amorosa funciona basicamente como uma feira de domingo às duas da tarde...

      O começo da feira é aos 20 e poucos anos... As barracas estão cheias... Tem melancia doce, morango fresco, uva sem semente. Você escolhe, experimenta, rejeita porque "achou a casca meio feia" ou porque queria uma fruta "mais madura". Você se dá ao luxo de ser exigente. É a época do "Ah, não quero nada sério agora, quero focar na minha carreira de estagiário..." Ganhando um salário mínimo aí não dá  né.

      No "Meio da Feira"... O desespero bate... O tempo passa, as melhores frutas vão sendo levadas. Aquele seu amigo que era um "limão galego" azedo casa com uma nutricionista e vira um doce de pessoa. A menina que você ignorava na faculdade hoje está rica, feliz e viajando para as Maldivas com o namorado... E você lá, rindo e falando merda... "Ah, deixa eles casarem cedo, eu tô afim de rir por último!", você pensa dessa forma, enquanto come miojo passa a noite, assistindo à série de filmes coreano achando que está na vibe do momento.

      E na  "Hora da Xepa"... Quem ri por último... De repente, você percebe que a feira está acabando. O feirante já está guardando as lonas. Você corre para a única barraca aberta. E o que sobrou?... O bagaço... Aquele resto que ninguém quis. E o partido que sobra, vem com um combo de três ex-esposas uma delas psicopata, as outras duas  chifraram ele de quebra cinco herdeiros cobrando pensão, duas faturas atrasadas no Serasa e um apego emocional inexplicável por um cachorro pitbull que morde todo mundo.

      Vamos tentar entender... Quem ri por último no amor não está rindo de felicidade. É rir para não chorar. É aquela risada histérica de quem percebeu que o "príncipe encantado" na verdade era só um sapo com um ótimo marketing no Instagram, e agora você vai ter que dividir o teto com ele porque o aluguel está caro demais para morar sozinha.

      O Cupido da Xepa... Se você insistir em esperar o "momento certo" para rir por último, o Cupido muda de tática. Ele cansa de usar arco e flecha e passa a usar uma colher de pedreiro para tentar juntar o que sobrou de você com o que sobrou de outra pessoa.

      O que você aceita na Hora do Bagaço... 

      Alguém que ronca, respire com a boca aberta e deita sem escovar os dentes... Alguém que não responda o WhatsApp no mesmo dia... o sexo... bem, digamos que vai exigir bastante paciência (e fé)..." ... Alguém que curta a mesma plataforma de streaming que você paga sem rachar a conta.

      Portanto, meu amigo, minha amiga... se você está aí segurando o riso, achando que está sendo super estratégico ao rejeitar todo mundo para "triunfar no final", abra o olho.

      Não espere a feira fechar... Às vezes, é melhor levar uma fruta com uma bochechinha meio batida, mas que ainda dá um bom suco, do que esperar o final da festa e ter que disputar o bagaço com a concorrência na base do tapa.

      Quem ri por último só ganha uma coisa... A conta do psicólogo mais cara. Então, se encontrar uma laranja minimamente doce por aí... descasque e aproveite!



       Por Alfredo Guilherme


9 comentários:

Anônimo disse...

Que texto espetacular, Alfredo! Essa crônica está afiadíssima, com um ritmo de stand-up comedy de primeira qualidade e aquele tom de que sabe rir das próprias verdades (e das dores) da vida moderna.

Anônimo disse...

Grande amigo.o seu texto flui gostoso, muito bem e atinge em cheio qualquer um que já tenha se aventurado no "cardápio humano" dos aplicativos de relacionamento

Anônimo disse...

Adorei de verdade a descrição do "partido" que sobra na xepa é o ápice do humor do texto. O combo de "três ex-esposas (uma psicopata), cinco herdeiros cobrando pensão, Serasa e um pitbull que morde todo mundo" é de uma precisão cômica maravilhosa.

Anônimo disse...

Kkkk vc é f.. da meu amigo kkkk ri muito é conheço umas é outras pessoas na hora da Xepa kkkk

Anônimo disse...

Ri até com a ilustração... A ilustração é do tipo de imagem hiperbólica que faz o leitor gargalhar porque sabe que, no fundo, tem um fundo de verdade

Anônimo disse...

👏👏👏👏👏👏😁😁😁😁

Anônimo disse...

Sabe o que gostei meu amigo Alfredo, em vez de você terminar em cinismo puro, termina com um pragmatismo bem-humorado a vida não precisa ser perfeita, e aquela fruta com a "bochechinha meio batida" ainda rende um excelente suco. É um banho de realidade com sabor de acolhimento.

Anônimo disse...

Estou precisando dessa laranja 😂😂😂💝💝

Anônimo disse...

Ola Alfredo que aula de economia afetiva, entre uma fruta meio amassada e outra com algumas semente, talvez ainda exista uma laranja doce esperando alguem