quarta-feira, 8 de julho de 2026

Prosa poética: Eu queria ser imortal...

 


       Eu queria ser imortal, e queria que você também fosse. Só para ter a certeza de que o tempo nunca ousaria ditar o fim da nossa história, e que a palavra "Adeus" jamais faria sentido entre nós. Queria uma eternidade inteira, sem relógios ou calendários, apenas para te amar sem pressa, sem pausa e sem o medo de ver o dia terminar.

​     Queria que fôssemos imortais dentro desse nosso amor, como se o mundo lá fora pudesse passar, mas nós dois permanecêssemos intactos. 

     Queria sentar ao seu lado e ver os pingos da chuva caindo mansa lá fora, sabendo que cada gota que toca a terra está, na verdade, fertilizando ainda mais o que sentimos. Cada tempestade seria apenas adubo para as nossas raízes, cada inverno, um pretexto para nos entrelaçarmos mais.

​     E por aí vai... veríamos impérios caírem, as estrelas mudarem de lugar no céu e as estações do ano dançarem diante dos nossos olhos, enquanto o nosso abraço continuaria sendo o lugar mais seguro do universo. 

     Se a vida é um sopro, eu queria que o nosso amor fosse o próprio vento,  infinito, leve e incapaz de morrer.


    Por Alfredo Guilherme 


4 comentários:

Anônimo disse...

Que texto lindo, Alfredo! Sabe, a imortalidade que a gente deseja na juventude é cheia de pressa, mas essa que você descreveu tem o compasso da calmaria, de quem sabe saborear o tempo. Essa imagem da chuva fertilizando o amor me tocou profundamente. É como se o amor maduro não tivesse medo do tempo, porque ele já aprendeu a ser eterno no agora. Parabéns por mais essa joia!"

Anônimo disse...

Fiquei com o coração quentinho lendo isso. 'Se a vida é um sopro, eu queria que o nosso amor fosse o próprio vento'... que sensibilidade! É o tipo de texto que a gente lê e carimba na alma. Dá vontade de viver um amor assim, que transforma a rotina e a passagem dos anos em pura poesia. Obrigado por compartilhar essa sensibilidade com a gente.

Anônimo disse...

Esse amor imortal que vc descreve é quase um pacto contra o relógio, uma forma de dizer que o que vivemos dentro de nós não aceita prazo de validade. Que bom saiba que o seu texto ecoou em mim. Um forte abraço!

Anônimo disse...

Fiquei encantada com a atmosfera que você criou, Alfredo. Consegui ver perfeitamente o cenário, as gotas de chuva brilhando na janela, o mundo desabando lá fora e duas pessoas que se bastam ali, suspensas no tempo. É uma poesia que acolhe a gente em um dia cinzento. Obrigado por esse momento de paz em forma de poetica.