Imagine que um som “massa” começa a preencher o carro. Um charme que não tenta ser nada além do que é. O amor, afinal, não precisa de esforço para ser incrível.
A maré estava pra peixe numa manhã ensolarada. Dois apaixonados desciam a serra rumo ao litoral de Santos quando Jorge Ben Jor entrou em cena. As cordas do violão vibraram no corpo deles, marcando o tempo. Entre notas e sussurros, a conversa se misturava à melodia.
- Escuta essa voz, esse violão... Ele usa o polegar no grave e o contratempo na outra mão. É uma batida que parece o meu coração quando te vê. Não corre, flutua. É como se Jorge soubesse que, quando estou com você, não tenho pressa de chegar a lugar nenhum.
- Já passamos por tantos dias de sol... Se hoje chover, tanto faz. Seguramos a mão um do outro em tempestades. O tempo passou, os meses voaram, e continuamos aqui. A chuva caiu lá fora, mas não molhou o que a gente construiu. Criamos o nosso próprio clima.
Ela tocou a coxa dele, acompanhando com os dedos o balanço suave da melodia.
- Você se tornou o meu ritmo favorito. Aprendi a ler seus silêncios e amar cada detalhe que só o tempo revela. Jorge pede para a chuva não molhar o amor dele porque sabe que é precioso ser cuidadoso. Eu te prometo continuar cuidando da gente.
- Pode chover, pode o tempo correr. Se os próximos anos forem como os meses que já vivemos, só tenho a agradecer. Não importa o clima lá fora, desde que o meu mundo continue sendo você.
O violão de Jorge simbolizava fidelidade e parceria. Eles já haviam enfrentado tempestades e saído secos, reforçando a segurança da relação. Olharam nos olhos, sentindo aquele frio na barriga que só o início traz.
- Engraçado como o tempo é relativo. São só alguns meses, mas se eu fechar os olhos e ouvir esse violão, parece que já nos conhecemos de outras vidas. Jorge canta com naturalidade, a mesma que sinto quando estou com você. Nada foi forçado, tudo simplesmente fluiu.
- Você chegou como essa chuva da música... lavando tudo, trazendo frescor. Em tão pouco tempo já sinto que você é meu lugar seguro. Quando o mundo lá fora é barulhento, basta o seu sorriso para tudo se acalmar.
- Dizem que o início é a melhor parte, mas eu acho que a melhor parte é perceber que, a cada dia, quero mais um mês, mais um ano, mais uma vida ao seu lado. Jorge pede para a chuva parar, e eu peço para o tempo não ter pressa.
- Pode chover ou fazer sol. Você já transformou meus dias comuns em bênção. Que venham todos os meses que o destino guardar. Você só sai da minha vida se eu for também.
- Não vou sair... Querer mais e mais é desejar futuro sem pesar o presente.
- Essa música me lembra a gente... não precisamos de produção. É uma elegância natural, como o seu jeito de acordar.
- No refrão, Jorge pede... “Por favor, chuva ruim não molhe mais o meu amor assim...” Ela sorriu...
- Ainda bem que tenho seu abraço para me proteger. Pode cair o temporal que for.
Falar de Jorge Ben Jor é falar de alegria, balanço e suingue solar. Ele transformou o violão em percussão, criando um transe que obriga o corpo a balançar. O romance com ele não é melancólico, é vibrante.
- Amor... Jorge canta muito, mas não pode ver o que eu vejo... o brilho dos seus olhos. Isso é o que me aquece de verdade.
- Fique sabendo, meu querido... Estou rendida, mas de forma leve e alegre. Essa letra mostra que você está enfeitiçado por mim de um jeito positivo. E quando o violão for sumindo no fade out, você pode me beijar no acostamento e dizer: “Eu te amo. Obrigado por ser o motivo dessa música fazer sentido hoje.”
- Vamos deixar essa música ser a trilha sonora do que estamos construindo. Daqui a dez anos, quando ela tocar, quero lembrar exatamente do brilho dos seus olhos hoje.
Eles pararam o carro. O beijo selou a promessa.
“Chove Chuva” é mais que uma canção, é um mantra, uma declaração de amor inesquecível. Enquanto o mundo corre lá fora, Jorge cria uma bolha de intimidade. E dentro dela, o tempo dança com eles e eles dançam com o tempo.
Por Alfredo Guilherme

11 comentários:
Que celebração linda da música como mediadora de afetos e da experiência amorosa. meu caro amigo.
Que intimidade gostosa, o gesto de tocar a coxa, o sussurro entre versos e a promessa de cuidado revelam uma dimensão física e emocional do amor. Belo texto.
Um viva !!!! ao poder da música como linguagem universal do afeto, e a canção de Jorge Ben Jor, com sua cadência hipnótica e suingue solar, que você transformou em metáfora da relação amorosa.
Ótima narrativa lírica, em que a música serve de fio condutor para reflexões sobre o tempo, a memória e a intimidade.
Caro amigo você tem toda a razão, a música funciona como catalisadora dessa intimidade, criando uma “bolha” que isola os amantes do mundo exterior.
Eu amo as musicas de Jorge gostei do texto muito legal.
Lirismo, reforçando a ideia de que o amor é vivido no cotidiano, sem necessidade de grandes produções.
Huuuuuu adoraria ter vivido esse momento de amor e liberdade.
Gostoso esse ritmo do amor, natural, sem pressa e fluido.
A cultura popular brasileira e a experiência íntima dos personagens me fez viajar neste texto...
A chuva, tradicionalmente associada à melancolia, aqui é ressignificada ela não ameaça o amor, mas serve como metáfora para os desafios da vida. Curti mais esse texto, Amigo um abraço.
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