domingo, 25 de janeiro de 2026

Jorge Ben Jor...A constância do som...

   


     Imagine que um som “massa” começa a preencher o carro. Um charme que não tenta ser nada além do que é. O amor, afinal, não precisa de esforço para ser incrível.

     A maré estava pra peixe numa manhã ensolarada. Dois apaixonados desciam a serra rumo ao litoral de Santos quando Jorge Ben Jor entrou em cena. As cordas do violão vibraram no corpo deles, marcando o tempo. Entre notas e sussurros, a conversa se misturava à melodia.

     - Escuta essa voz, esse violão... Ele usa o polegar no grave e o contratempo na outra mão. É uma batida que parece o meu coração quando te vê. Não corre, flutua. É como se Jorge soubesse que, quando estou com você, não tenho pressa de chegar a lugar nenhum.

     - Já passamos por tantos dias de sol... Se hoje chover, tanto faz. Seguramos a mão um do outro em tempestades. O tempo passou, os meses voaram, e continuamos aqui. A chuva caiu lá fora, mas não molhou o que a gente construiu. Criamos o nosso próprio clima.

     Ela tocou a coxa dele, acompanhando com os dedos o balanço suave da melodia.

     - Você se tornou o meu ritmo favorito. Aprendi a ler seus silêncios e amar cada detalhe que só o tempo revela. Jorge pede para a chuva não molhar o amor dele porque sabe que é precioso ser cuidadoso. Eu te prometo continuar cuidando da gente.

     - Pode chover, pode o tempo correr. Se os próximos anos forem como os meses que já vivemos, só tenho a agradecer. Não importa o clima lá fora, desde que o meu mundo continue sendo você.

    O violão de Jorge simbolizava fidelidade e parceria. Eles já haviam enfrentado tempestades e saído secos, reforçando a segurança da relação. Olharam nos olhos, sentindo aquele frio na barriga que só o início traz.

     - Engraçado como o tempo é relativo. São só alguns meses, mas se eu fechar os olhos e ouvir esse violão, parece que já nos conhecemos de outras vidas. Jorge canta com naturalidade, a mesma que sinto quando estou com você. Nada foi forçado, tudo simplesmente fluiu.

     - Você chegou como essa chuva da música... lavando tudo, trazendo frescor. Em tão pouco tempo já sinto que você é meu lugar seguro. Quando o mundo lá fora é barulhento, basta o seu sorriso para tudo se acalmar.

     - Dizem que o início é a melhor parte, mas eu acho que a melhor parte é perceber que, a cada dia, quero mais um mês, mais um ano, mais uma vida ao seu lado. Jorge pede para a chuva parar, e eu peço para o tempo não ter pressa.

     - Pode chover ou fazer sol. Você já transformou meus dias comuns em bênção. Que venham todos os meses que o destino guardar. Você só sai da minha vida se eu for também.

     - Não vou sair... Querer mais e mais é desejar futuro sem pesar o presente.

     - Essa música me lembra a gente... não precisamos de produção. É uma elegância natural, como o seu jeito de acordar.

     - No refrão, Jorge pede... “Por favor, chuva ruim não molhe mais o meu amor assim...” Ela sorriu...

    - Ainda bem que tenho seu abraço para me proteger. Pode cair o temporal que for.

     Falar de Jorge Ben Jor é falar de alegria, balanço e suingue solar. Ele transformou o violão em percussão, criando um transe que obriga o corpo a balançar. O romance com ele não é melancólico, é vibrante.

     - Amor... Jorge canta muito, mas não pode ver o que eu vejo... o brilho dos seus olhos. Isso é o que me aquece de verdade.

     - Fique sabendo, meu querido... Estou rendida, mas de forma leve e alegre. Essa letra mostra que você está enfeitiçado por mim de um jeito positivo. E quando o violão for sumindo no fade out, você pode me beijar no acostamento e dizer: “Eu te amo. Obrigado por ser o motivo dessa música fazer sentido hoje.”

     - Vamos deixar essa música ser a trilha sonora do que estamos construindo. Daqui a dez anos, quando ela tocar, quero lembrar exatamente do brilho dos seus olhos hoje.

     Eles pararam o carro. O beijo selou a promessa.

     “Chove Chuva” é mais que uma canção, é um mantra, uma declaração de amor inesquecível. Enquanto o mundo corre lá fora, Jorge cria uma bolha de intimidade. E dentro dela, o tempo dança com eles e eles dançam com o tempo.

     Por Alfredo Guilherme


11 comentários:

Anônimo disse...

Que celebração linda da música como mediadora de afetos e da experiência amorosa. meu caro amigo.

Anônimo disse...

Que intimidade gostosa, o gesto de tocar a coxa, o sussurro entre versos e a promessa de cuidado revelam uma dimensão física e emocional do amor. Belo texto.

Anônimo disse...

Um viva !!!! ao poder da música como linguagem universal do afeto, e a canção de Jorge Ben Jor, com sua cadência hipnótica e suingue solar, que você transformou em metáfora da relação amorosa.

Anônimo disse...

Ótima narrativa lírica, em que a música serve de fio condutor para reflexões sobre o tempo, a memória e a intimidade.

Anônimo disse...

Caro amigo você tem toda a razão, a música funciona como catalisadora dessa intimidade, criando uma “bolha” que isola os amantes do mundo exterior.

Anônimo disse...

Eu amo as musicas de Jorge gostei do texto muito legal.

Anônimo disse...

Lirismo, reforçando a ideia de que o amor é vivido no cotidiano, sem necessidade de grandes produções.

Anônimo disse...

Huuuuuu adoraria ter vivido esse momento de amor e liberdade.

Anônimo disse...

Gostoso esse ritmo do amor, natural, sem pressa e fluido.

Anônimo disse...

A cultura popular brasileira e a experiência íntima dos personagens me fez viajar neste texto...

Anônimo disse...

A chuva, tradicionalmente associada à melancolia, aqui é ressignificada ela não ameaça o amor, mas serve como metáfora para os desafios da vida. Curti mais esse texto, Amigo um abraço.