Essa imagem de um casal de feltro, abraçados e sorridentes sob o sol, é o lembrete visual de que o "Inverno da vida" não precisa ser frio. Existe uma doçura tátil na velhice que a juventude, em sua pressa, muitas vezes não consegue sentir.
Dizem que a velhice é o "fim da linha", um desfecho inevitável onde as cores desbotam e o corpo, antes ágil, torna-se uma máquina de ruidos e cautelas. Mas há um segredo guardado por aqueles que decidiram envelhecer com o coração macio, como o feltro dos bonecos da ilustração, a felicdade na idade avançada não é sobre o que resta, mas sobre a textura do que foi construído.
Quando somos jovens, a vida é um tecido de cetim brilhante, escorregadio, tudo é urgente. Queremos o mundo para ontem. Na maturidade, a trama muda. O tecido se torna lã. É mais denso, mais quente, cheio de pequenas imperfeições que contam uma história.
O "fim de vida" que tanto assusta, mas para quem o vive com sabedoria, é apenas o momento em que a pressa finalmente pede licença para a presença.
Ser feliz aos setenta, oitenta ou noventa anos é uma rebeldia deliciosa. É entender que, se os passos são mais lentos, a paisagem finalmente pode ser vista. É descobrir que o amor não precisa mais de grandes arroubos dramáticos, ele se manifesta no encaixe de um abraço que já conhece todas as curvas do outro, na mão que segura a cintura com a firmeza de quem atravessou tempestades e agora só quer aproveitar o sol na areia.
"A velhice só é um fardo para quem acredita que o valor da vida está na velocidade, e não no sentido."
Muitos olham para os cabelos brancos e veem o fim. Mas, se olharmos bem, a velhice pode ser o ápice da liberdade. É quando o que os outros vão pensar, perde a validade. É a hora de usar o chapéu de palha, os óculos escuros e o maiô colorido, sorrindo para o mar como se o tempo fosse apenas um detalhe técnico.
No fim das contas, a idade avançada nos ensina que nada é realmente um fim, mas um alinhavo. Juntamos os retalhos de quem fomos, das perdas que sofremos e dos risos que demos, e costuramos tudo com o fio da gratidão.
E nesse abraço final, descobrimos que, enquanto houver sol e alguém para segurar nossa mão... A vida ainda é um presente feito à mão, único e absolutamente macio.
Poética e Profunda...
Não conte os anos pelos danos,
mas pela maciez da alma que resiste.
A pele pode rugar o pano,
mas o amor é o fio que nos assiste.
O fim não é o abismo ou o cansaço,
é o momento de colher o que foi luz.
É a calma de se perder num abraço,
onde o peso do mundo não mais reluz.
Ser feliz no outono da existência
é descobrir que o sol ainda aquece,
que a pressa deu lugar à paciência
e que o coração, enfim, floresce.
Por Alfredo Guilherme

12 comentários:
E talvez o maior segredo seja este a velhice não é sobre contar os anos, mas sobre sentir a maciez da alma que ainda floresce. CARO AMIGO ÓTIMA POSTAGEM.
A imagem do casal de feltro que você descreve é mais do que uma metáfora visual é um manifesto contra a ideia de que envelhecer significa perder. Adorei mais uma vez a sua postagem...
Grande amigo Alfredo, realmente o "inverno da vida" não precisa ser frio, porque quem chega até ele com o coração aquecido descobre que cada ruga é uma linha de poesia escrita pelo tempo.
Seja qual for a maneira, e a respeito de que, é sempre lindo, e sempre um delicioso alento para meu coração T.A. 💝
A juventude corre atrás de urgências, mas a velhice ensina que o verdadeiro luxo é a pausa. Ótimo texto
Perfeito não existe mais pressa é sim paciência pra poder desfrutar de todas as experiências de ter vivido na juventude com muita pressa lindo texto que assim não 💝💝💝💝 amei
Adoro seus temas esse foi muito bom
Me senti acariciada com os meus 73 anos lendo sua crônica muito legal parabéns
Uma bela reflexão pra quem teve muita pressa hj temos tempo é sabedoria pra esperar todas as estações simplesmente amei parabéns 💝💝💝💝
Um conto uma boa reflexão que não precisamos ter pressa pois temos sabedoria pra reviver todas as estações sem pressa 💝💝💝
A maturidade é o momento em que o amor deixa de ser espetáculo e se torna presença. É a fase em que o silêncio de um abraço fala mais alto do que qualquer promessa.
Amigo realmente envelhecer, portanto, não é fim, mas continuidade. É costurar os retalhos da existência com o fio da gratidão, como você tão bem disse. 👏👏👏👏👏👏👏👏👏
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