Dizer “eu te amo” deveria ser como soltar uma pipa ao vento, um ato leve, fluido, sem o sobressalto de que ela voe alto demais.
Permitir que as relações fluam, despidas de rótulos, é abrir espaço para que o afeto se multiplique em vez de se encolher. É compreender que o amor não é propriedade, mas presença. Ele pode ser encontro, despedida e reencontro, sem jamais perder sua essência.
Há quem ainda insista em enclausurar o sentimento dentro de molduras, como se a vida fosse um quadro estático na parede. Mas o amor ignora contornos, ele escorre, dança, transborda. Precisamos, urgentemente, nos entregar a esse embalo do que não sufoca. Um amor que respira, que se permite ser, sem as cobranças do relógio.
E isso só pode semear mais amor... Quando não há grades, o coração se expande. Quando não há etiquetas, o sentimento se reinventa e você sente o melhor de você, e o melhor sabor.
Essa leveza não nasce da ausência de compromisso, mas da urgência de uma presença de verdade. É a coragem de amar sem amarras, de confiar na correnteza e de se entregar ao instante.
Eu vou bater de frente... Afinal, o que é o amor senão o próprio movimento? Ele não precisa ser colado, basta ser vivido. Amanhã, talvez, cada um siga seu rumo, mas o agora já terá valido por inteiro.
Como a sombra das árvores em uma praça, o amor muda com o sol, mas nunca deixa de acolher. É presença sem exigência, abraço sem contrato.
Talvez o grande aprendizado seja este, dizer “Eu te amo” como quem oferece uma flor, sem a ilusão de que ela permaneça eterna no vaso.
E, quando derrubamos as cercas, o coração finalmente encontra o seu espaço. E o mundo, inevitavelmente, se inunda de mais amor.
Por Alfredo Guilherme


11 comentários:
Parabéns Bela definição, amar não é dizer te amo é está presente em qualquer situação.💝💘💝
💝💘💝💘💝💘
Que texto lindo! Engraçado como a gente entra aqui no blog procurando uma leitura leve e sai com a alma chacoalhada. Essa metáfora da pipa descreve perfeitamente o desapego que a gente custa a aprender na vida. Só quem já tentou enquadrar o amor sabe o tamanho do estrago. Lindo demais acompanhar como a sua escrita consegue ficar cada vez mais fluida, Alfredo."
Cheguei aqui por indicação de uma amiga e confesso que esse texto foi um abraço necessário para o meu dia. É tão raro encontrar na internet reflexões sobre o amor que fujam do clichê e que tragam essa paz de espírito. Essa imagem final da flor e do vaso me pegou em cheio. Já me sinto íntima do espaço e com certeza vou revirar os arquivos antigos para ler mais!
Impressionante como você consegue traduzir em palavras coisas que a gente sente, mas não sabe como organizar na cabeça.
Amor que respira, sem as cobranças do relógio'... que paulada de frase! É bem o que a gente precisa exercitar nesses tempos de ansiedade e imediatismo. Mais uma crônica impecável para a coleção do blog.
Parabéns pelo espaço, já ganhei o meu dia e virei leitor assíduo.
Que grata surpresa! É um alento ler algo com tanto ritmo e sensibilidade hoje em dia. Amar sem amarras parece utopia, mas o seu texto faz parecer o único caminho natural possível.
A sociedade ensina a gente a querer o contrato, a segurança jurídica do afeto, sabe? Ler você me fez perceber o quanto eu ainda tento colocar o amor em molduras com medo de que ele mude de forma. Obrigado pelo chacoalhão necessário, Alfredo!"
Lindo texto, o amor verdadeiro é isso mesmo, sem cobranças, exigências, sem egoísmo. É na atitude e na cumplicidade do casal que se vê o verdadeiro amor.
Parabéns por essas sábias palavras. Acho mesmo que o verdadeiro afeto não exige obrigações. O verdadeiro amor é aquele em que existe o companheirismo, a cumplicidade sem cobrança, sem egoísmo, A admiração de um pelo outro. Isso pra mim é um amor verdadeiro.🌹
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