sexta-feira, 12 de junho de 2026

Crônica ; O Fluxo do Afeto...


​     Dizer “eu te amo” deveria ser como soltar uma pipa ao vento, um ato leve, fluido, sem o sobressalto de que ela voe alto demais. 

     Permitir que as relações fluam, despidas de rótulos, é abrir espaço para que o afeto se multiplique em vez de se encolher. É compreender que o amor não é propriedade, mas presença. Ele pode ser encontro, despedida e reencontro, sem jamais perder sua essência.

​     Há quem ainda insista em enclausurar o sentimento dentro de molduras, como se a vida fosse um quadro estático na parede. Mas o amor ignora contornos, ele escorre, dança, transborda. Precisamos, urgentemente, nos entregar a esse embalo do que não sufoca. Um amor que respira, que se permite ser, sem as cobranças do relógio.

​     E isso só pode semear mais amor​... Quando não há grades, o coração se expande. Quando não há etiquetas, o sentimento se reinventa e você sente o melhor de você, e o melhor sabor.

​     Essa leveza não nasce da ausência de compromisso, mas da urgência de uma presença de verdade. É a coragem de amar sem amarras, de confiar na correnteza e de se entregar ao instante. 

     Eu vou bater de frente... Afinal, o que é o amor senão o próprio movimento? Ele não precisa ser colado, basta ser vivido. Amanhã, talvez, cada um siga seu rumo, mas o agora já terá valido por inteiro.

​    Como a sombra das árvores em uma praça, o amor muda com o sol, mas nunca deixa de acolher. É presença sem exigência, abraço sem contrato.

​    Talvez o grande aprendizado seja este, dizer “Eu te amo” como quem oferece uma flor, sem a ilusão de que ela permaneça eterna no vaso. 

     E, quando derrubamos as cercas, o coração finalmente encontra o seu espaço. E o mundo, inevitavelmente, se inunda de mais amor.


     Por Alfredo Guilherme




4 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns Bela definição, amar não é dizer te amo é está presente em qualquer situação.💝💘💝

Anônimo disse...

💝💘💝💘💝💘

Anônimo disse...

Que texto lindo! Engraçado como a gente entra aqui no blog procurando uma leitura leve e sai com a alma chacoalhada. Essa metáfora da pipa descreve perfeitamente o desapego que a gente custa a aprender na vida. Só quem já tentou enquadrar o amor sabe o tamanho do estrago. Lindo demais acompanhar como a sua escrita consegue ficar cada vez mais fluida, Alfredo."

Anônimo disse...

Cheguei aqui por indicação de uma amiga e confesso que esse texto foi um abraço necessário para o meu dia. É tão raro encontrar na internet reflexões sobre o amor que fujam do clichê e que tragam essa paz de espírito. Essa imagem final da flor e do vaso me pegou em cheio. Já me sinto íntima do espaço e com certeza vou revirar os arquivos antigos para ler mais!