Naquele fim de tarde, o vento soprava suave, guardando segredos entre as árvores. Não havia pressa, apenas o desejo latente de permanecer. Sob o dourado do sol, um colibri aproximou-se da flor. O coração da ave batia em frenesi, enquanto as pétalas se abriam em um silêncio sagrado, oferecendo-se ao encontro.
O amor humano é esse cortejo, uma dança aérea de delicadeza, vibração e desejo. Nos seres apaixonados, a metáfora ganha vida e se transforma em poesia concreta. São dois corações que se buscam, dois olhares que se cruzam e duas almas que se reconhecem no voo da ternura.
Assim como o colibri vibra suas asas diante do mistério da flor, o coração humano pulsa acelerado diante de quem ama. Nesse estado de encantamento, cada gesto é um voo sutil, cada palavra é néctar e cada silêncio é um repouso suave sobre pétalas invisíveis. A aproximação deixa de ser apenas busca e torna-se celebração, o instante exato em que o tempo se suspende e o universo se resume ao encontro.
A flor, por sua vez, é a imagem da vulnerabilidade que confia. É a beleza que desabrocha e expõe sua essência, tal como alguém que se desarma para ser visto de verdade. O cortejo, tecido em pequenos rituais, mensagens inesperadas, toques sutis, sorrisos que iluminam o dia, é uma promessa silenciosa de cuidado.
Nesse ritual, habitam juntas a fragilidade e a força. O apaixonado é o pássaro que assume o risco do voo, o amado é a flor que se abre em entrega. Há uma promessa de eternidade escondida na urgência desse instante efêmero.
Em suma, amar é a arte de ser colibri e flor ao mesmo tempo o que voa e o que floresce, o que busca e o que acolhe, a asa que se entrega e o perfume que recebe. É o espaço sagrado onde dois corações, finalmente, se reconhecem e florescem juntos.
Por Alfredo Guilherme


4 comentários:
Caí no seu blog por acaso através de uma busca e que grata surpresa encontrar esse texto em pleno fim de tarde. A sua escrita tem uma fluidez rara, parece que estamos vendo a cena do colibri acontecer diante dos olhos. A metáfora da flor como a 'vulnerabilidade que confia' me tocou profundamente. Já virei leitora assídua!
Engraçado como você consegue transformar o bater de asas de um colibri em algo tão profundamente humano. Senti daqui o 'frenesi' desse encontro. Mais um texto lindo para a coleção do blog!
Mestre Alfredo, você já nos acostumou com essa poesia concreta, mas desta vez você se superou no ritmo. A imagem de ser 'colibri e flor ao mesmo tempo' fechou com chave de ouro. É exatamente isso o amor exige o risco do voo e a coragem de desabrochar. Obrigado por continuar compartilhando essas preciosidades conosco.
O que mais admiro neste espaço de leitura é a sua capacidade de transformar sentimentos em metáforas vivas.
Postar um comentário