Acordei faminto…
Não por café, nem por pão quente.
Com a luz entrando pela janela no seu travesseiro amassado, percebi que era desejo em jejum, carência de você, que apertou o meu peito antes mesmo do despertador.
E foi essa memória quente, crua que me serviu saudade no café da manhã.
Minha boca queria seus desabafos matinais, seus olhos ainda meio sonâmbulos, sua pele com cheiro de ontem, e aquele silêncio no abraço apertado de bom dia.
Acordei com fome de você, amor.
Dos seus desejos mais íntimos.
Queria novamente saborear teus segredos, lamber teus silêncios, morder tuas saudades, como quem implora… Se pertencer.
Acordei… querendo devorar a lembrança do seu riso nu, dos nossos corpos sem pressa.
Do rastro do teu perfume no lençol, do seu jeito distraído.
Do nosso suor que a gente confundia com poesia.
Da tua mania de mudar de lado, dos pés frios grudando nos meus, do seu suspiro profundo dormindo ao meu lado.
Hoje, minha fome é memória, meu apetite é a sua ausência.
Meu corpo não esquece os caminhos de sedução do seu corpo, na minha cama.
E mesmo sozinho, me deitei de novo no espaço onde você se deita, tentando saborear, em pensamentos, aquele último beijo que você me deu… Em uma despedida com retorno marcado.
Por Alfredo Guilherme













