Dizem que a vida é um trem, mas ninguém te avisa que a plataforma da estação, em dia de véspera de feriado, é uma confusão danada. É gente correndo para não perder o horário do embarque, malas pesadas cheias de passados desnecessários e o alto-falante anunciando o último aviso de destinos que a gente nem sabe se quer conhecer. No meio desse caos, a maioria embarca no primeiro vagão que aparece, só pelo medo de ficar para trás.
Eu balancei o meu bilhete nos dedos por um bom tempo, olhando o vaivém. Até que você chegou. Sem bagagem excessiva, apenas com aquele sorriso que parece abrir caminho na multidão. Olhamos para a locomotiva fumegante à nossa frente. Embarcar sozinho é uma aventura, mas embarcar com quem se ama? Ah, isso muda o peso da mala e a própria maciez do estofado do nosso lugar no vagão.
Subimos. O trem deu aquele tranco característico, o apito ecoou no peito e as rodas começaram a cantar nos trilhos.
Nas primeiras horas de viagem, descobrimos que o "Trem da Vida" não corre em linha reta. Ele balança, faz curvas fechadas e, às vezes, entra em túneis tão escuros que a gente só consegue enxergar o reflexo um do outro no vidro. Mas a grande sacada foi perceber que, quando estamos de mãos dadas, o escuro do túnel vira só um pretexto para encostar a cabeça no ombro do outro.
Logo a paisagem mudou. O trem começou a desacelerar e entrou na primeira grande parada: a "Cidade da Felicidade Presente". Que lugar curioso. Não tinha monumentos gigantescos ou pontos turísticos badalados. A felicidade ali se fazia notar nas coisas pequenas. Era o gosto do café morno, os sentimentos internos que só nós dois entendíamos com um olhar, o sol da tarde batendo na sua bochecha enquanto você cochilava com o livro aberto no colo. Ali, a gente entendeu que não precisava esperar o fim da linha para sorrir. A viagem já era o próprio destino.
Afinal, no horizonte que a gente inventa, a pressa é a maior inimiga dos trilhos. Quem só olha para o fim da linha perde as melhores paisagens e as estações pelo caminho que poderiam mudar a sua vida. Claro, o trem continua. E o maquinista do tempo não aceita suborno para parar o relógio.
Não sabemos o nome exato das outras cidades que nos esperam logo adiante. Pode ser uma casa com quintal, um apartamento no vigésimo andar cheio de plantas, ou apenas a calmaria de dois velhinhos numa ladeira de outono. Não importa o CEP. O nosso destino final é aquele lugar geométrico e exato onde sonhamos em estar juntos.
Olho para o lado e vejo você, ainda distraída com a paisagem que passa rápida lá fora. O trem da vida continua correndo pelos trilhos, estalando as rodas lá embaixo, e eu só consigo pensar na sorte de ter embarcado nessa viagem com você...
Segue a viagem... vamos ver até onde podemos chegar.
Por Alfredo Guilherme

10 comentários:
Alfredo, que texto absolutamente arrebatador! Ler sobre essa viagem a dois é como redescobrir o sentido exato da palavra "complicidade". É o tipo de destino que todos nós sonhamos em viver: caminhar de mãos dadas por ruas desconhecidas, onde o mundo lá fora simplesmente desaparece e só existem os dois olhares. Obrigado por traduzir em palavras o que tantos de nós guardamos no mais profundo dos desejos!
Quem nunca sonhou em pegar a pessoa amada e partir para um refúgio onde o tempo desacelera e cada esquina parece cenário de cinema? Simplesmente sublime. Já estou relendo para absorver cada detalhe!
Meu amigo vc me fez viajar nessa vibe show de texto 👏👏👏👏👏
Viajar ao lado de quem faz nosso coração disparar é a maior aventura que alguém pode experimentar nesta vida. Sigo aqui, encantado e com a mala do coração pronta para a próxima leitura!
O mundo fica infinitamente mais bonito quando visto através dos olhos de quem a gente ama. Um brinde a essa sensibilidade ímpar que nos faz acreditar, todos os dias, na magia do amor e das grandes jornadas a dois! Como vc consegue falar de tantas formas sobre o amor ? Cara tu és iluminado tenho orgulho de ser seu amigo .
Lindo texto talvez esteja faltando em um, relacionamento pegar esse trem.💝💝💝💝
Com certeza este poeta é iluminado cada dia mai o texto e amar só que hoje ou ; amou aí tudo faz sentido, pra mim é um sonho não um texto escrito , e eu sonho sempre só que a minha insegurança o teme será que ele vem , mas ao chegar e lá ele está não penso mais nada , pra onde vamos só quero segurar na mão dizer mais uma vez te amo ir pra qualquer lugar com ele , este é um sonho que faz minha vida ( quer dizer ) minha noite, Você Poeta e brilhante 💝👩❤️👨💝
Que crônica maravilhosa! Me peguei suspirando a cada parágrafo. É exatamente isso a viagem perfeita não precisa de excessos, precisa da companhia certa.
Meu caro, você tem o dom de mexer com a nossa alma. Essa viagem que você descreve não é apenas um deslocamento no mapa, é uma verdadeira travessia para dentro do amor.
Alfredo, meu amigo, você superou todas as expectativas desta vez. Essa é a viagem que todo mundo quer fazer, mas poucos conseguem colocar no papel com tanta poesia e verdade.
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