quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Crônica: O amor é uma obra inacabada


     Quando o tédio se instala e a rotina parece um disco arranhado, a gente inventa. Inventar é o verbo preferido de quem se recusa a deixar a vida ser apenas um passar de horas. Mas, quando o assunto é o amor, o que se pode inventar?

     O amor, por natureza, já é uma invenção constante. Ele não é um dado da natureza, como a chuva ou o pôr do sol, ele é uma construção que exige manutenção diária. Inventar no amor não é criar algo do nada, mas sim dar novos significados ao que já existe.

     É inventar um ritual para o café da manhã de domingo, transformando uma refeição comum em um evento sagrado de silêncio e cumplicidade. É inventar uma linguagem própria, feita de olhares, apelidos que só fazem sentido para os dois e silêncios que não pesam. É inventar desculpas para se tocar, para se olhar, para se reencontrar no meio do caos do dia a dia.

     No amor, a gente inventa o perdão quando a mágoa tenta se instalar. Inventamos paciência quando a convivência testa os limites. Inventamos surpresas que não precisam de dinheiro, apenas de atenção, um bilhete escondido, uma música enviada no meio da tarde, um elogio inesperado sobre algo que o outro nem sabia que a gente notava.

     Inventar no amor é, acima de tudo, a arte de não deixar o outro se tornar invisível. É a resistência contra a naturalização do afeto. Porque o perigo do amor não é o fim, é a indiferença, é o momento em que a gente para de inventar e começa a apenas repetir.

     E para a manutenção diária de afeto...Então, se não tem nada para fazer, invente. Invente um novo jeito de dizer “Eu te amo” sem usar essas palavras. Invente um novo momento para o rala e rola ao apagar das luzes, vai a dica... na garagem de casa na madrugada dentro do carro... invente um novo assunto para a mesa de jantar, uma nova forma de segurar a mão amada.

     O amor é uma obra inacabada, e a gente é, ao mesmo tempo, o artista e a própria matéria-prima.


            Por Alfredo Guilherme 


22 comentários:

Anônimo disse...

Dica anotada, mestre! Só espero que o vizinho do condomínio não cisme de inventar de passear com o cachorro na madrugada bem na hora da 'manutenção diária do afeto'. Mas tá certo: o amor exige coragem e uma boa dose de imaginação amorosa 💘😂😂😂

Anônimo disse...

A piada da garagem foi mestre, rompeu o protocolo com estilo! A crônica é perfeita pra lembrar que quem não inventa, vira paisagem.

Anônimo disse...

Brincadeiras de lado, a crônica tá impecável. A parte do 'disco arranhado' bateu forte por aqui. É isso aí se o amor é uma obra inacabada, bora passar mais uma mão de tinta antes que a rotina piche tudo.

Anônimo disse...

Rapaz, o texto estava lírico, poético, quase chorei de rir lembrando do café de domingo... até chegar na parte da garagem! 😂

Anônimo disse...

Se o amor é uma obra inacabada, a sua garagem virou o canteiro de obras oficial sem censura kkkk. Já mandei o link no grupo dos casados pra ver se o pessoal acorda pra vida. Curti demais! !!!

Anônimo disse...

Alfredo, meu caro! A ideia da garagem é genial até o sensor de presença da iluminação do prédio acender e entregar o show ao vivo pro condomínio inteiro! 💡😳kkkkk

Anônimo disse...

Brincadeiras à parte, 'a arte de não deixar o outro se tornar invisível' foi pesada e precisa. Mas confessemos essa da garagem no meio da noite tem a cara de quem gosta da coisa kkkk e de quem gosta levando bronca do síndico.kkkkkk

Anônimo disse...

Belo texto, Alfredo! Continuo inventando desculpas pra ler esse blog em horário de trabalho. Kkkk

Anônimo disse...

Muitos 💝💝💝💝💝💝 pra esse texto bora por em prática 🥰

Anônimo disse...

Rapaz, esse blog é utilidade pública. Começa ensinando a perdoar com classe e termina dando consultoria de rala e rola clandestino em casa! adorei a dica kkkkkkk

Anônimo disse...

Excelente texto, Alfredo. Inventar é preciso, só não vale as crianças acordarem fora de hora na madrugada kkkkkkk

Anônimo disse...

kkkkk Vc começa citando a sacralidade do café de domingo e termina sugerindo rala e rola no banco de trás do carro na garagem... Que transição, meus amigos! Kkkkk. 👏

Anônimo disse...

Mestre Alfredo, tudo muito lindo na teoria! Mas se eu invento de sugerir essa 'manutenção de emergência na garagem' às 2h da manhã em pleno dia de semana, será que a patroa vai curtir ? A minha eu duvido 😂

Anônimo disse...

Falando sério, a sacada sobre não deixar o outro se tornar invisível é de um nível absurdo. Texto com a dose exata de poesia e sacanagem elegante.

Anônimo disse...

Só um aviso aos leitores no meu carro antigo, com essa umidade da madrugada, a única coisa que eu vou 'inventar' na garagem é uma crise de coluna e um vidro todo embaçado depois do rala e rola kkkk. Texto sensacional, Alfredo! A rotina que se cuide. kkkkk

Anônimo disse...

Vou fazer uma pergunta vc faz tudo isso?🥰💝💝

Anônimo disse...

☕️☕️🧁🧁🍾🥂🚗🤪🤪💝

Anônimo disse...

Alfredo que delicia de texto, gostei da idéia : amor exige invenção...., ´até correr o risco do "rala e rola" virar reunião de condomino

Anônimo disse...

O senhor começou poeticamente sobre rituais de domingo e terminou de sacanagem no banco do passageiro? Que reviravolta digna de novela das oito! 🚗💨Mas pensando bem ?

Anônimo disse...

Muito bonito, muito poético... Mas a linguagem própria é feita de olhares? Por aqui em casa esse 'olhar' às 3h da manhã só significa uma coisa que eu ronquei alto de novo e acordei a patroa que não vai aceitar um rala e rola na garagem kkkkkk 😂

Anônimo disse...

Kkkkk valeu a dica .... Nunca imaginei que o meu HYD era tão espaçoso na parte dos passageiros kkkk

Alguil disse...

Digamos que sim... Digamos que talvez... Digamos que a inspiração para escrever viaja por portais da vida que devem ser lembrados....