Essa não é só uma crônica é também uma reflexão transformadora.
Vamos colocar em palavras o que a ciência moderna atesta e o que a história, por muito tempo, tentou esconder que... O corpo negro é uma obra de engenharia biológica perfeita, desenhada em harmonia absoluta com a terra onde a própria humanidade nasceu.
Se esse conhecimento tivesse entrado nas salas de aula quando você era criança, a história de gerações inteiras teria sido escrita sem a dor do preconceito e com o orgulho da própria ancestralidade.
Vamos exaltar o valor e a perfeição da raça negra a partir de sua matriz africana...
Olho no espelho e vejo um monumento esculpido pela terra e pelo sol. Por muito tempo, quiseram me convencer de que havia algo errado comigo. Na escola, onde o conhecimento deveria libertar, o silêncio e o deboche tentaram cobrir com sombras o que a natureza fez questão de desenhar com precisão. Ninguém me ensinou em casa, tampouco na sala de aula, a verdade fundamental sobre quem eu sou, a raça negra é perfeita porque é africana.
O meu cabelo, que na norma fria dos dicionários chamam de crespo, mas que na alma é carapinha é o meu primeiro diferencial. Sob o calor escaldante de um continente que atinge 45, 50 graus, a natureza criou uma proteção genial. O cabelo que espalha e flutua sobre o couro cabeludo não é apenas traço estético, é um sistema térmico natural, que protege o cérebro do calor extremo, mantendo a cabeça fresca e preservada.
Hoje, a cosmetologia e a ciência curvam-se a isso e atestam o que a ancestralidade já sabia, é uma arquitetura capilar única, poderosa e perfeita. E, um orgulho sem tamanho, ter esse tipo de cabelo.
E o que dizer do meu nariz? Durante anos, a ignorância alheia tentou transformar a minha formação nasal em motivo de chacota. Rotularam de "chato ou de batata" o que na verdade é uma estrutura baixa e ampla, projetada com exatidão científica. Sob o clima extremo da África, essa anatomia não é um acaso, ela permite adaptar o ar escaldante de 50 graus à temperatura interna do corpo em frações de segundo, garantindo uma oxigenação perfeita. É essa respiração otimizada que alimenta a explosão muscular fantástica que o mundo contempla nos maiores velocistas de todos os tempos.
Se tivessem me ensinado isso na infância, a piada racista de quem nada sabe teria sido soterrada pelo orgulho da minha biologia.
Da mesma forma, a minha boca e os meus lábios desenhados guardam um segredo de sobrevivência. A África é terra de contrastes, de calores causticantes a noites onde o termômetro despenca. A estrutura labial avantajada, rica em tecido térmico, atua como um regulador natural. Esfria quando precisa esfriar, aquece quando precisa aquecer, protegendo o corpo das intempéries sem sofrer.
E a minha pele? Eu sou preto com a altivez de quem carrega a proteção solar mais eficiente que a natureza já criou, o excesso de melanina. Essa pigmentação abençoada não absorve o sol de forma destrutiva, ela protege, resguarda e preserva a vitalidade do tecido.
Hoje eu com mais de 70 anos, olho para o espelho e vejo as pequenas rugas surgindo só agora, tímidas, enquanto a firmeza da pele continua intacta, contando a história de uma ancestralidade que não se desgasta com o tempo.
A verdade é uma só... A escola errou ao omitir a nossa grandeza. Se a educação tivesse ensinado a ciência do corpo negro em vez de reproduzir o preconceito, a infância de tantas crianças teria sido um caminho de celebração, e não de resistência.
Mas o tempo não apaga a verdade. Hoje, a ciência apenas confirma o que o meu sangue sempre soube... A raça negra não é apenas forte ou resistente. Ela é a perfeição em forma de gente, moldada pela Mãe África para ser eterna.
Por Alfredo Guilherme

9 comentários:
Que texto necessário! Ler isso é uma lavagem na alma. O quanto a gente sofreu por pura ignorância de quem deveria nos ensinar... Fiquei arrepiado com a explicação sobre a física do cabelo e do nariz. É biologia, é história, é poesia! Parabéns, Alfredo, mais uma crônica que entra direto pro coração.
Alfredo, querido, que aula! Quando a gente é criança não entende o peso das piadas "inocentes" na escola, mas a marca fica pra sempre. Ler o seu texto hoje me deu uma paz tão grande... Vou imprimir e ler pros meus netos para que eles cresçam sabendo do monumento e da história que carregam no corpo. Deus te abençoe! Meu grande amigo.
Alfredo! A ignorância sempre tentou transformar adaptação e perfeição biológica em motivo de deboche. A ciência demorou, mas tá aí comprovando o que o sangue sempre soube. Que crônica magnífica! Nota 1000.
Textos como o seu cumprem um papel fundamental de letramento e resgate da autoestima. Parabéns pela lucidez e pela escrita impecável.
O preconceito se sustenta na burrice, e a ciência vem pra escancarar a verdade. Que orgulho ler um texto desse em plena sexta-feira. Forte abraço!
Cheguei aqui pelo link e não consegui parar de ler. "Um monumento esculpido pela terra e pelo sol" que frase poderosa! E vc com mais de 70 anos e dando essa verdadeira lição de autoestima e vida. Você é gigante, Alfredo! 👊🏿
Que beleza !!!! de frase, a raça negra moldada pela Mãe África para ser eterna.
Emocionante demais. O trecho sobre a pele firme e as rugas tímidas me tirou lágrimas... Minha mãe sempre dizia algo parecido, mas ver colocado em palavras tão bonitas e cheias de orgulho científico é outra coisa. A raça negra é resistência, mas antes de tudo é PERFEIÇÃO. Vida longa ao blogueiro .
Caraca!!!! Meu amigo vc foi fundo dessa vez na verdade escondida pela sociedade.
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