terça-feira, 21 de julho de 2026

Crônica : O dia em que eu fui ele...

 

​      Dizem que o cinema é a arte de projetar luz sobre sombras. Mas, para quem ama de verdade as telas, é muito mais do que isso, é a magia de se enxergar do outro lado.

​     Quem nunca se pegou ajustando o passo na rua enquanto tocava aquela trilha sonora marcante no fone de ouvido? Ou olhando pela janela num dia de chuva como se houvesse uma câmera lenta registrando cada pensamento? A verdade é que a sétima arte nos empresta suas lentes. Ela nos dá a audácia de viver a rotina com um tom extra de drama, mistério ou heroísmo.

​     Tomemos como exemplo um clássico incontestável, a postura inconfundível de Marlon Brando em O Selvagem (The Wild One). A jaqueta de couro preta, a boina inclinada com perfeição casual, o olhar firme de quem não precisa provar nada a ninguém enquanto se apóia na sua moto. É uma imagem ícone, gravada na história da cultura pop. Uma atitude que marcou gerações.

​      Mas o cinema só ganha vida completa quando encontra a nossa própria história.

​      Quando trocamos a figura lendária da tela pelo nosso próprio rosto, algo fantástico acontece. O jaquetão de couro ganha o nosso caimento, o olhar misterioso por trás dos óculos escuros passa a carregar as nossas próprias experiências, trajetórias e memórias. O cenário vintage já não pertence apenas à Hollywood dos anos 50, ele passa a fazer parte da nossa jornada.

​      É aí que reside a verdadeira força do amor pelo cinema. Ele nos despe do papel de meros espectadores sentados no escuro e nos devolve ao mundo no papel principal. Não se trata de fuga, mas de reinvenção.

​      A vida real exige que sejamos muitos personagens todos os dias. Mas basta um lampejo de paixão pela arte das telas para lembrarmos que, no filme da nossa própria vida, quem assina a direção e ocupa o centro da cena somos nós mesmos.

​      O cinema nos ensina, muda o ator, mas o espírito protagonista permanece.


Por Alfredo Guilherme 



8 comentários:

Alguil disse...

Incorporar um ícone como o Johnny de 'O Selvagem' é quase um ato de rebeldia poética. Fica a pergunta para quem está lendo este blog hoje, se a sua vida ganhasse um pôster de cinema no estilo dos anos 50, qual seria o título do seu filme?...

Anônimo disse...

EU SERIA ELE COMO O PODEROSO CHEFÃO KKKKK LEGAL ESSA SUA TIRADA...

Anônimo disse...

Grande amigo a sacada de colocar o próprio rosto no lugar de um ícone como Marlon Brando em O Selvagem vai muito além de uma brincadeira visual. É uma metáfora perfeita para o que a sétima arte faz com a nossa cabeça.

Anônimo disse...

Essa brincadeira de 'troca de elenco' é sensacional porque provou uma coisa, o figurino caiu perfeito, mas quem dá alma à cena é a nossa própria bagagem!.Eu gostaria de ser um Super homem pra acabar com as guerras kkkkk

Anônimo disse...

Adorei. Que viagem bacana essa reflexão sobre como o cinema mexe com a gente, não é?

Anônimo disse...

Parabéns 👏👏 eu gostaria de ser Anabel 💝💝💝.

Anônimo disse...

O cinema nos dá repertório visual e emocional. Marilyn modesta parte adoraria ser a Marilyn Monroe kkkkk

Anônimo disse...

Estou viajando nessa vibe tb. Não é sobre imitar, é sobre dialogar com a história. Mostra que o tempo passa, os cabelos ganham novos tons, mas a vontade de rodar por aí com estilo e alma jovem continua intacta seus textos fazem isso com a gente pura adenalina na leitura.